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O aumento nas tarifas de importação imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros já causa impactos diretos no Sul de Minas, especialmente no setor cafeeiro. Segundo o Porto Seco de Varginha, um dos principais polos alfandegários da região, cerca de 90% dos clientes exportam para os EUA, com pelo menos 20% de sua produção destinada ao país norte-americano. De acordo com o diretor do Porto Seco, Breno Paiva, o cenário é preocupante. “Essa tarifa é como se fosse um embargo para o café brasileiro. Não tem como o comprador nos Estados Unidos pagar 50% de tarifa. Nossos concorrentes, como Vietnã e Colômbia, pagam bem menos — 20% e 10%, respectivamente. Assim, o café brasileiro não chega competitivo”, explicou. Com a nova taxação, as exportações praticamente pararam. Os produtos que já estavam preparados para embarque ficam armazenados, gerando custos extras para os exportadores. “O exportador tem gastos com armazenagem e, caso precise desfazer o contrato com o comprador americano, também arca com a diferença de preços e prejuízos na negociação”, detalhou Breno. “Os custos só aumentam à medida que o tempo vai passando”, alertou. Apesar disso, há uma possibilidade de redirecionamento das exportações para outros países. “Se os Estados Unidos não comprarem o café do Brasil, vão precisar buscar em outras origens. Isso pode abrir espaço para o Brasil vender mais para mercados como Alemanha, Itália e Japão”, disse. A expectativa, porém, é de que a tarifa seja revista. “Os Estados Unidos são muito dependentes do café brasileiro, que representa cerca de 30% das importações do país. A lógica aponta que essa taxa será revisada, ao menos para o café”, afirmou o diretor. (Fonte: G1 / Foto: Adriano Machado/Reuters).