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A produção de café neste ano deve atingir um nível recorde, mas isso não deve se traduzir em preços mais baixos para o consumidor no curto prazo. Segundo estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção deve chegar a 66,2 milhões de sacas beneficiadas – 3,2 milhões a mais do que o maior volume já registrado, em 2020, e 17,1% acima do ciclo de 2025. Depois de duas safras seguidas de oferta apertada, os estoques globais do grão estão baixos e ainda precisam de um esforço contínuo para recomposição, explica o economista Felippe Serigati, pesquisador do Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas (FGV Agro). “Os preços devem apresentar alguma acomodação, mas ainda em patamares elevados”, diz. Diferentemente de outras commodities agrícolas, o aumento da produção de café não ocorre rapidamente, já que novos plantios levam de três a cinco anos para atingir plena capacidade produtiva. No entanto, do lado da demanda, o consumo global continuou em expansão, impulsionado sobretudo pelo crescimento do mercado asiático e pela popularização de cafés especiais. Conforme o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o preço do café moído acumulou alta de 99,48% entre janeiro de 2024 e junho de 2025, quando passou a recuar ligeiramente. De janeiro de 2020 até janeiro deste ano, o preço do produto no Brasil já acumula uma alta de 219,6% – ou seja, mais do que triplicou seu valor em pouco mais de seis anos. No mesmo período, a variação acumulada do IPCA foi de 39,7%, o que significa que o preço do café para o consumidor subiu 179,9% acima da inflação. (Fonte: Gazeta do Povo / Foto: Dall-E/Gazeta do Povo).