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O alambique Ouro Verde fica numa propriedade rural às margens de Três Pontas, cidade do Sul de Minas Gerais conhecida no Brasil e no exterior pela excelência do café. A cachaça que ali se produz não chega perto da cidade vizinha de Salinas, no norte do estado, onde a tradição da aguardente de cana tem raízes de dois séculos. Mas Paulo Sérgio Souza Rodrigues, 54 anos, empresário que passou décadas no setor de curtumes, não precisou de tradição herdada para construir o que tem: um estoque de mais de 110 mil litros de cachaça envelhecendo em barris de carvalho, jequitibá, castanheira, bálsamo e amburano, e uma marca que em 2024, no primeiro concurso da Emater-MG, ganhou o primeiro lugar na categoria extra-premium. A Divina Cana nasceu em 2016, movida pela paixão que Paulo e a esposa Regina Helena tinham por cachaças de alambique. O que começou como hobby foi crescendo com método, até virar um projeto de produção anual de 17 mil litros, dos quais apenas 4 mil são vendidos. O restante fica guardado, envelhecendo. “Eu quis primeiro fazer envelhecimento”, diz Paulo. A marca só foi ao mercado em 2022, seis anos depois do início da produção. Aliás, aqui vale uma explicação sobre Regina: ela é sócia e coidealizadora do projeto. Nenhuma cachaça da Divina Cana sai antes de dois anos de descanso. A branca, armazenada em inox, aguarda dois anos. As envelhecidas em madeira ficam no mínimo três. O lote mais antigo do estoque atual data de 2018. “Tenho aqui cachaça de seis anos”, conta Paulo, passando a mão nos barris alinhados nas prateleiras de madeira. A cachaça é hoje a segunda bebida mais consumida no mercado interno, atrás apenas da cerveja. A produção declarada chegou a 292,4 milhões de litros, crescimento de 29,6% sobre o ano anterior, segundo o Anuário da Cachaça 2025, elaborado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária. Confira reportagem especial na edição deste sábado (20). (Fonte: Forbes Agro).