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Em maio, a imprensa noticiou a recuperação judicial da Estrela, fabricante de brinquedos que atravessou gerações de brasileiros e que escolheu justamente a Comarca de Três Pontas para conduzir essa reorganização. Agora, o processo avançou para uma etapa decisiva. No dia 14 de agosto, a Estrela protocolou seu Plano de Recuperação Judicial, cumprindo o prazo de 60 dias previsto pela Lei nº 11.101/2005. O documento foi apresentado no último dia do prazo legal e comunicado ao mercado por meio de fato relevante no dia 20 de agosto. Foi o primeiro grande passo concreto, depois que a Justiça de Três Pontas deferiu o pedido, em 15 de junho, autorizando o processamento das oito empresas do grupo de forma conjunta, já que todas fazem parte da mesma estrutura operacional e societária. A proposta apresentada prevê condições diferentes conforme o tipo de credor. Quem tem crédito trabalhista deve receber o valor integral até o limite de 150 salários mínimos por pessoa, respeitando os prazos da lei. Já para fornecedores e demais credores sem garantia, chamados de quirografários, e também para micro e pequenas empresas, a proposta é um desconto de 90% sobre o valor da dívida, com carência de 22 meses antes do início dos pagamentos e prazo que pode chegar a 15 anos para a quitação completa. Existe ainda um caminho alternativo pensado especialmente para quem depende diretamente da relação comercial com a Estrela. Fornecedores e instituições financeiras que continuarem fazendo negócios com o grupo podem aderir a um mecanismo chamado amortização acelerada. Nesse modelo, uma parte de cada nova compra ou operação é usada para pagar a dívida antiga, sem desconto, com percentuais que variam entre 1,5% e 5% conforme as condições da venda. Para mostrar que o plano é viável, a Estrela apresentou projeções financeiras que cobrem os próximos 15 anos. Segundo a companhia, o faturamento bruto deve começar em torno de 184 milhões de reais no primeiro ano e chegar a 278 milhões no décimo quinto, somando um acumulado de 3,42 bilhões de reais ao longo de todo o período. A empresa também projeta geração de caixa positiva em todos os anos do plano. Enquanto o plano segue para votação dos credores em assembleia e, se aprovado, para homologação da Justiça, a cidade continua no centro geográfico e simbólico dessa história. É em Três Pontas que tudo isso está sendo decidido, e é aqui que uma fábrica com mais de duas décadas de atuação segue funcionando, gerando empregos e produzindo os brinquedos que atravessaram a infância de tantas gerações. (Fontes: Canal UltraNativo, Forbes Brasil, Times Brasil CNBC, Lei nº 11.101/2005).